5 coisas para JAMAIS fazer no terreiro.

1- Fazer fofoca.

Cada terreiro que fecha é um ponto de luz que se apaga, um espaço a menos para atender a enorme quantidade de encarnados e desencarnados que precisam de auxílio espiritual. E uma das razões mais frequentes para o encerramento das atividades é um grande desentendimento entre irmãos de santo, cargos ou até mesmo os pais de santo, e isso sempre se inicia com uma simples fofoquinha. Aquele comentário sobre o jeito que um irmão incorpora, aquela vez que alguém duvidou da firmeza da incorporação de outro, reclamações sobre a organização da casa, sobre a atitude de um cargo, sobre decisões da mãe de santo…

Vamos lembrar que o principal interesse dos kiumbas e obsessores é que possam continuar atuando em paz de acordo com os próprios objetivos. Na visão deles, cada terreiro é um obstáculo e cada casa que fecha as portas representa uma vitória. É necessário que entendamos que as forças das trevas farão de tudo para atacar o trabalho de caridade, procurarão qualquer brecha possível para fazer uma casa cair. E qual a maior brecha? Nós, os próprios médiuns. Essas simples fofocas, às vezes nem mesmo feitas com má intenção, podem ir gerando vários desentendimentos, boatos e brigas que, se não forem contornadas, têm sim o poder de derrubar uma casa.

 

2- Alimentar os maus pensamentos.

Em seu emprego material, você é um funcionário apenas em determinado horário. Em casa e nos dias de folga, está livre. Certo? Não é assim que acontece com o médium de umbanda. A partir do momento em que entra para a corrente de uma casa, você é médium vinte e quatro horas por dia e não apenas durante a gira. Assim como você trabalha durante as sessões para fazer a caridade, também é sua responsabilidade trabalhar seu próprio caráter para ser um espírito cada vez melhor. Estudar a espiritualidade, alimentar pensamentos positivos, ser gentil com o próximo e manter-se sempre em sintonia com seus guias são sugestões de boas práticas para todos, mas principalmente para o médium. Quanto mais equilibrado você estiver, de melhor qualidade será seu trabalho mediúnico. 

É claro que todos temos nossas atribulações da vida material. As coisas dão errado, a vida pessoal apresenta obstáculos e cada um conhece a dificuldade da própria vida, mas Jesus nos diz para vigiar atos, pensamentos e palavras. Cada pensamento de vaidade, orgulho, preguiça ou egoísmo será incentivado o máximo possível pelos obsessores. Não é porque você trabalha em um terreiro que está imune aos efeitos de uma obsessão. Pelo contrário! Eles tentarão mais ainda te derrubar. Você terá obviamente a proteção dos seus guias, mas é fundamental que se esforce. Somos espíritos em evolução e é normal que tenhamos pensamentos negativos, mas a autovigilância é parte importante de nossa melhoria.

 

3- Duvidar da incorporação de seu irmão.

Cabe aos pais de santo e aos cargos orientar os médiuns em desenvolvimento, aqueles que ainda estão entendendo como funciona a incorporação de seus guias. E a mais ninguém. Se você acha estranho ou engraçada a forma que determinado orixá ou entidade daquele médium dança, guarde para você. Não é seu trabalho julgar se o irmão está passando na frente, se está exagerando ou segurando a incorporação, se está fingindo ou não, se está demorando demais ou de menos para firmar. Se a direção da casa não disser nada, não cabe a você dizer. Todo médium passa por seu desenvolvimento e, na era da mediunidade consciente, entender a incorporação é um processo muito difícil que requer tempo e desenvolvimento. Além disso, nem todo caboclo dança da mesma forma. Nem todo preto velho trabalha com as mesmas ferramentas. Nem todo cigano fala com o mesmo sotaque. Também não é porque uma pombagira dança mais bonito que ela é mais poderosa do que aquela que só fica no canto, observando a sessão com cigarro na mão. A menos que você seja um grande especialista que conhece a forma de trabalho de todos os milhares de espíritos de cada linha de todas as falanges, é pouco provável que seja você a determinar quem está fingindo e quem não está. Respeite a decisão de seus pais de santo, respeite seu irmão e, mais que tudo, respeite os guias que trabalham em sua casa. 

 

4- Duvidar de uma entidade de seu pai de santo.

Nesse item a motivação é simples e clara: se você não confia na mediunidade desse dirigente, não entregue sua cabeça a ele. Como você se dedicará às atividades de um terreiro se você duvidar das determinações da entidade chefe da casa? No mundo de hoje toda reflexão é válida, mas é por isso que não se entra para qualquer terreiro que aparecer. Passe seu tempo na assistência, peça algumas consultas, conheça o andamento da casa e a responsabilidade desse zelador antes de pedir para entrar. Mas a partir do momento em que entrar, confie. Na parte astral de uma casa acontecem muitas coisas que os encarnados acabam nem sabendo. Acredite nos conselhos e determinações daquela casa. Certamente todas elas têm motivo.

 

5- Encher suas entidades de adereços e presentes.

Esse tópico é muito comentado em vários lugares, inclusive nos próprios terreiros, mas continua sendo um problema constante. Será que seu caboclo precisa mesmo de um cocar de penas douradas para trabalhar? É necessário que sua cigana use brincos de ouro? Seu Exu ainda está em desenvolvimento, ainda fala muito pouco, mas já fuma um monte de charutos um atrás do outro? Precisa mesmo dar uma boneca Baby Alive de presente pro seu erê? 

 

As entidades da umbanda usam adereços não porque simplesmente gostam de determinada roupa ou objeto, mas sim para que possamos identificá-los mais facilmente, para que consigamos visualizar a forma de apresentação daquele guia à nossa frente. Quem precisa desses acessórios somos nós, não eles. Todo guia pode muito bem trabalhar de roupa branca, descalço, sem enfeite nenhum e usando como ferramenta um charuto, vela e copo d’água. Beber e fumar, inclusive, são recursos muito usados para o trabalho, mas também não são indispensáveis. Lembrem-se que nossos guias estão desencarnados, e a maioria deles já está desencarnada há bastante tempo. Eles não precisam de nada que existe na matéria. Se pedirem um item ou outro, será por necessidade dos encarnados à sua volta, muitas vezes até do próprio cavalo. Claro que dar um presente para fazer um agrado é uma prática comum, mas para eles o verdadeiro presente será a sua evolução através da caridade e não um par de brincos.

por

Talita Emrich é médium da Casa de Caridade Portal de Aruanda, terapeuta de nível III do Reiki e estudante de Literatura. Atualmente escreve os artigos sobre a espiritualidade aqui no Pontos de Umbanda.




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