Você não veio ao mundo a passeio.

Quando pensamos em um sábio monge, geralmente vem à nossa cabeça a imagem de um senhorzinho oriental já bem velhinho, com uma barba branca comprida, vestindo uma túnica alaranjada e meditando em algum templo lá no alto de uma montanha. Imaginamos esse velho monge naquela posição com as pernas cruzadas, mãos nos joelhos ou em posição de prece, fazendo “ommm” e meditando eternamente.

É difícil imaginar esse sábio monge, equilibrado lá no alto de sua espiritualidade, gritando um palavrão depois de dar uma topada com o dedão. Será que esse senhorzinho iluminado xingaria alguém no trânsito? Será que ele revira os olhos quando lhe servem uma comida que não gosta? Ele sairia pelos corredores do templo berrando com o noviço que não lavou a louça?

Esse velho monge que imaginamos talvez não faça nada disso, mas algo é certo: nós fazemos! E fazemos todo dia. Analise um único dia de sua rotina e perceba como, em algum momento, você perdeu o controle – mesmo que por um segundo – e gritou com alguém, reclamou, se irritou. Pode não ter sido um grande surto violento, mas com certeza houve no mínimo um resmungo.

Todos estamos encarnados aqui na Terra buscando a nossa evolução. Passamos diariamente por pequenas provas que testam nossa paciência, resiliência, determinação e fé. Algumas vezes somos “aprovados” nessas provas, e outras não. Cada um sabe de si, cada um sabe o quanto está se esforçando para ser um ser humano melhor a cada dia. Não nos cabe julgar o outro, mas sim analisar sempre a si mesmo. “Orai e vigiai atos, pensamentos e palavras”. 

Às vezes parece que tudo seria mais fácil se vivêssemos longe dos aborrecimentos do dia a dia, em um eterno retiro espiritual, no alto de uma montanha, em um sítio ou numa ilha paradisíaca, isolados de todas as preocupações. Imagine como seria viver sempre em paz, sem contas para pagar, sem louça para lavar, sem malcriações dos filhos, sem aborrecimentos do chefe, do trabalho, do trânsito..! Assim com certeza seria muito fácil ser evoluído, certo?

Errado! 

Nós não viemos a este mundo a passeio. Temos tarefas a cumprir. Para ser lapidado, um diamante precisa passar pelas pancadas e raspagens que o deixarão brilhante e polido. Somos como os diamantes; que valor teria uma encarnação inteira passada sem nenhuma dificuldade, nenhuma atribulação? Que lições um espírito tiraria dessa vida parada? Se pensarmos no exemplo daquele monge, veremos que ele só pode se tornar um monge meditando lá no templo depois de anos e anos trabalhando em serviços pesados quando jovem, como noviço. Para chegar ao estágio de equilíbrio, paz interior e sabedoria, um noviço passa anos de sua juventude plantando arroz, construindo casas para os pobres, trabalhando na manutenção do templo e servindo aos monges mais velhos. Nesse meio tempo com certeza vários reclamam ou resmungam, possivelmente alguns desistem, mas os mais determinados chegarão ao posto de monge.

É normal se frustrar com os acontecimentos, irritar-se ou entristecer, mas procure os ensinamentos que essas coisas vieram te trazer. Busque aprender com seus erros e com os maus momentos. Exercite a gratidão. É esse o segredo para se tornar aquele monge…

por

Talita Emrich é médium da Casa de Caridade Portal de Aruanda, terapeuta de nível III do Reiki e estudante de Literatura. Atualmente escreve os artigos sobre a espiritualidade aqui no Pontos de Umbanda.




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