Nossa fé em tempos de pandemia

Aqui estamos nós, irmãos, no meio de uma pandemia global. 

Nossa geração já viu doenças sérias passarem por regiões específicas alguns anos atrás, mas quem entre nós imaginou que viveria para ver uma gripe parando países, paralisando instituições, sobrecarregando hospitais, prendendo a população de diferentes continentes em casa e mobilizando os meios de comunicação?

É compreensível que alguns se choquem diante desse evento, que questionem o motivo dessa doença estar nos ameaçando dessa maneira. Será parte do plano divino? O que fizemos para merecer isso? Como podemos manter a esperança?

Fui buscar informações no Livro dos Espíritos de Allan Kardec, ótima fonte de estudo. Nesse livro, Kardec reuniu perguntas sobre o mundo espiritual e sobre os próprios desencarnados, junto com as respostas recebidas da espiritualidade. 

Os trechos citados ao longo desse artigo foram retirados do capítulo VI, item “flagelos destruidores”.

“737. Com que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores?

— Para fazê-la avançar mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É necessário ver o fim para apreciar os resultados. Só julgais essas coisas do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais de flagelos por causa dos prejuízos que vos causam; mas esses transtornos são frequentemente necessários para fazerem que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.”

Em outras palavras: passamos pelo sofrimento porque precisamos evoluir. Não estamos na Terra a passeio, por mais que a felicidade seja fundamental para nossa vida. Cada um de nós recebeu a oportunidade de encarnar para resolver questões do passado, resgatar karma, passar pelas provações necessárias para nos tornarmos cada vez melhores. No nosso momento atual, esse aprendizado necessário não se aplica somente a quem adoeceu ou desencarnou por causa do COVID-19. Todos nós estamos aprendendo ou devemos aprender em breve lições valiosas com as próprias medidas tomadas ao redor do mundo para conter a propagação do vírus.

Nossos médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde estão aprendendendo sobre o valor de se arriscar pelo próximo, ao tratar quem adoeceu.

Os jovens precisam ajudar na contenção da doença para proteger os mais velhos, aqueles a quem a doença oferece mais risco.

Os governantes passam pelo desafio que é gerenciar países em pânico, assustados ou à beira do colapso.

Quem pode gastar dinheiro sem se preocupar deverá segurar o impulso de estocar grandes quantidades de suprimentos, para que não falte aos outros.

As famílias dentro de casa encaram o convívio diário com seus parentes e todos os pequenos estresses que surgem disso.

Lições não faltam e, em tempos de crise, muitas delas aparecem. Para muitos de nós, essa pode ser a valiosa oportunidade de resgatar algum aprendizado que faltava.

Vamos ver esse outro trecho do mesmo item:

738. Deus não poderia empregar, para melhorar a Humanidade, outros meios que não os flagelos destruidores?

— Sim, e diariamente os emprega, pois deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem quem não os aproveita; então, é necessário castigá-lo em seu orgulho e fazê-lo sentir a sua fraqueza.”

Essa epidemia pode até ser agravada pela ação do homem, mas folha alguma de qualquer árvore cai sem a permissão divina. Se Deus, em sua sabedoria, colocou essa pandemia na trajetória da Terra nesse momento, foi porque enxergou a nossa necessidade de acordar.

“Mas então Deus nos mandou uma doença para sofrer? Essa é uma punição? Até quem é inocente vai sofrer pelos pecados dos outros?”, você pode se perguntar.

É compreensível revoltar-se com essa ideia em um primeiro instante, mas podemos pensar melhor. Diante do tamanho do plano divino e de toda a nossa trajetória através de inúmeras encarnações, uma vida na Terra é um instante. Não fomos enviados aqui para sofrer, mas há sim lições que devemos aprender. Nenhum inocente será punido; pode realmente não ter feito nada de ruim nessa existência, mas não sabemos quais foram suas ações em outras vidas.  Entenda bem: isso não significa que aqueles que adoecem são pecadores que devem ser abandonados ou que mereçam sofrer. Essas pessoas estão, assim como nós, recebendo a oportunidade de passar por uma experiência que as ajudará a evoluir. É para isso que todos nós estamos aqui; ninguém é melhor que ninguém.

Cuidemos uns dos outros. Siga as recomendações o quanto puder. Não entre em pânico, use esse tempo de isolamento para colocar em ordem seus pensamentos. Organize momentos simples de lazer com os familiares, mantenha as crianças ocupadas, veja filmes construtivos, desenvolva seu hábito de leitura, arrume sua casa. Acima de tudo, não perca a fé ou questione. Diante dessa crise não podemos voltar no tempo para evitá-la, mas podemos fazer nossa parte para não piorá-la.

Todos passaremos juntos por essa grande prova e seremos pessoas melhores ao fim dela. 

Recomendo fortemente a leitura desse trecho do Livro dos Espíritos, que pode ser encontrado no seguinte link: http://luzdoespiritismo.com/o-livro-dos-espiritos/livro-terceiro-as-leis-morais/cap-6-lei-de-destruicao/ii-flagelos-destruidores-perguntas-737-736-o-livro-dos-espiritos

por

Talita Emrich é médium da Casa de Caridade Portal de Aruanda, terapeuta de nível III do Reiki e estudante de Literatura. Atualmente escreve os artigos sobre a espiritualidade aqui no Pontos de Umbanda.




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